Quero emagrecer! Musculação, corrida ou ambas?

Muitos estudos têm demonstrado a importância da capacidade aeróbia e da força, na melhoria dos parâmetros relacionados à saúde e bem estar, tanto em indivíduos saudáveis, como em indivíduos com quadro clínico comprometido por doenças como diabetes tipo II, hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca crônica e doença arterial coronariana.

Todavia, quando o assunto é emagrecimento, existe sempre uma tendência dos profissionais da área da saúde na indicação dos treinos aeróbios, que são os exercícios de longa duração, como corridas, caminhadas, entre outras.

Mas você conhece o treinamento concorrente? Esse tipo de treinamento tem como principal objetivo o desenvolvimento da força muscular e do condicionamento cardiovascular em uma mesma sessão de treinamento. Estudos recentes mostram que este talvez seja o método de treinamento que contemple, de forma mais abrangente e eficiente, as necessidades da população em geral com relação ao seu condicionamento físico. O treinamento concorrente traz adaptações benéficas ao sistema cardiovascular, além de ser muito eficiente em programas para redução de peso corporal e na recuperação ou manutenção da autonomia no envelhecimento.

Mas como o método funciona? Uma sessão de treinamento concorrente é subdividida em períodos de exercícios de força (musculação) e exercícios predominantemente aeróbios (esteira, bicicleta, etc). Dentro deste contexto, diferentes abordagens são possíveis, sempre levando em conta as necessidades e limitações do praticante.

Como o objetivo é o desenvolvimento de força e capacidade aeróbia, o professor pode organizar o programa de treinamento conforme considere mais adequado e consiga uma maior aceitação e adaptação do seu aluno. O modo “clássico” e, talvez ainda o mais utilizado em academias, consiste em realizar o treino de musculação e em seguida o treinamento aeróbio, ou vice versa. Porém, a literatura científica tem mostrado que algumas variações são possíveis e talvez mais eficientes, visando o melhor condicionamento geral do praticante. Por exemplo, a utilização de exercícios aeróbios intercalados com o treinamento de força, pode ser uma abordagem muito eficiente e ao mesmo tempo prática para o aluno. Quando se alterna exercícios de força com aeróbios, é possível se alcançar maiores intensidades nos períodos destinados ao treinamento aeróbio, visto que os intervalos dispensados para estes (caminhada, corrida, bicicleta, transport, etc) são mais curtos e numerosos. Desse modo, o tempo total destinado ao treinamento aeróbio ao final da sessão é praticamente o mesmo, porém, a intensidade adotada pode ser bem maior quando se realiza períodos curtos de exercício do que quando se realiza, por exemplo, 30 minutos de forma contínua.

Alguns cuidados devem ser observados para uma maior eficácia do treinamento. É interessante que os intervalos destinados ao trabalho aeróbio sejam iguais ou semelhantes ao tempo gasto com os exercícios de força, além disso, na musculação, é muito importante o controle das cargas utilizadas, de forma que estas sejam “pesadas” o suficiente para gerar as adaptações pretendidas, mas ao mesmo tempo não sejam exageradas ao ponto de prejudicar a execução do exercício e aumentar a possibilidade de ocorrência de lesões.

Lembre-se, o corpo humano tem limites que devem ser respeitados, mas exercícios que não ofereçam um desafio, ou um novo estímulo as capacidades físicas, são pouco ou nada eficientes.

Autor: Prof. Maximiliano Isoppo Schaun (Mestre em Ciências do Movimento Humano pela UFRGS; Especialista em Medicina do Esporte pela PUC-RS) e-mail: maxschaun@terra.com.br
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